Texto de 11 de junho de 2016, n sei pq n postei. Nada foi alterado nesse texto pra manter a integridade desse restinho de mim.
sexta-feira, 4 de setembro de 2020
É... como eu posso falar isso?
Existe nas palavras uma limitação típica da natureza da linguagem. Adentrando no vocabulário dos sentimentos, qual palavra não se traduziria em inefável? Não, nós temos de dar nome aos bois, e assim fizemos, fazemos. Corrigimos cada sentido com uma palavra e, então, o sentimento único e subjetivo ganha nome para ser o que todos sentem, mesmo que ninguém sinta o mesmo. Mesmo diante do repertório de sensações sobre algo ou alguém, atribui-se tudo para só uma palavra, que é jogada no dicionário definindo tudo que guardamos no baú de nós mesmos, e quando tentamos jogar o tesouro pela boca, cai sobre os ouvidos atentos: "não sei, como eu posso falar isso?" E aí mesmo, na dúvida de como expressar, é que reside a pureza. É quando a integridade se manifesta, jorrando a pura essência do ser. E eis que surge a arte de expressar outros vocabulários, não só o linguístico, mas o ritualístico, escrito em abraços, quadros, roupas, desenhos, e qualquer arte elaborada pelo baú. Pois eu amo tanto você, meu amor! Mas como eu posso falar isso?
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