quarta-feira, 16 de setembro de 2015

A marcha dos mortos

A preservação clama destruição
o grito de guerra é o massacre
verdades são mutiladas
e ninguém chora o braço perdido

Incontáveis braços amigos
lançados em mãos armadas
Deram vida a máquinas
e tornaram-se máquinas vivas

Olhares não podem guardar estrelas
para que se escondam no escuro
e devem ser blindados
pois tiros de piedade perdem-se por todos os lados

As mesmas curvas são carimbadas em todos os rostos
aquelas que um dia chamavam tristeza
e a única cor que perdura
é o escarlate inocente

E segue marchando o batalhão
rumo ao bombardeamento alheio
sem precisarem de escudo
pois já foram aniquilados






Suplico contra o suplício

Não há maniqueísmo, meu deus
o bem e o mal se personificaram no ser humano

Mas os de bem refugiam-se, meu deus
para que os de mal se fixem no terror

Sustentamos crises diversas, meu deus
pois há quem diga que somos uma geração sustentável

E por enxergar tanta fraude, meu deus
por ser tão humana
é que suplico,
meus deus,
que exista