Os valores caíram e dizem que trata-se de uma promoção. Transeuntes de todos os cantos são magnetizados como uma orla, buscando não algo específico, mas o mais fácil de se obter. Se a distância é longa, não há com o que se preocupar: o frete é grátis! As embalagens, com o remetente porta fechada para destinatários portas fechadas, são jogadas prontas no hall de entrada. Basta abrir e deliciar-se com a compra.
As manchetes gritam do jornal aos olhos e lambuzam o lábio de salivas famintas: APROVEITEM OS DESCONTOS! O preço a pagar é barato, como a moral barata, a ideia barata, fácil de ser pisada por algum grande, mas com um desconto esmagador. E de porta em porta são entregues as vestes, vestes essas que contornam as curvas de um eu etiqueta.
A black friday moral abre as portas! Está tudo ajustado no bolso, naquele mesmo bolso em que depositamos nossas riquezas. É só comprar os deveres módicos, saciar os desejos baixos, vender a integridade. Pois a black friday moral abriu as portas e os valores caíram. E dizem que trata-se de uma promoção.
quinta-feira, 26 de novembro de 2015
quarta-feira, 16 de setembro de 2015
A marcha dos mortos
A preservação clama destruição
o grito de guerra é o massacre
verdades são mutiladas
e ninguém chora o braço perdido
Incontáveis braços amigos
lançados em mãos armadas
Deram vida a máquinas
e tornaram-se máquinas vivas
Olhares não podem guardar estrelas
para que se escondam no escuro
e devem ser blindados
pois tiros de piedade perdem-se por todos os lados
As mesmas curvas são carimbadas em todos os rostos
aquelas que um dia chamavam tristeza
e a única cor que perdura
é o escarlate inocente
E segue marchando o batalhão
rumo ao bombardeamento alheio
sem precisarem de escudo
pois já foram aniquilados
o grito de guerra é o massacre
verdades são mutiladas
e ninguém chora o braço perdido
Incontáveis braços amigos
lançados em mãos armadas
Deram vida a máquinas
e tornaram-se máquinas vivas
Olhares não podem guardar estrelas
para que se escondam no escuro
e devem ser blindados
pois tiros de piedade perdem-se por todos os lados
As mesmas curvas são carimbadas em todos os rostos
aquelas que um dia chamavam tristeza
e a única cor que perdura
é o escarlate inocente
E segue marchando o batalhão
rumo ao bombardeamento alheio
sem precisarem de escudo
pois já foram aniquilados
Suplico contra o suplício
Não há maniqueísmo, meu deus
o bem e o mal se personificaram no ser humano
Mas os de bem refugiam-se, meu deus
para que os de mal se fixem no terror
Sustentamos crises diversas, meu deus
pois há quem diga que somos uma geração sustentável
E por enxergar tanta fraude, meu deus
por ser tão humana
é que suplico,
meus deus,
que exista
o bem e o mal se personificaram no ser humano
Mas os de bem refugiam-se, meu deus
para que os de mal se fixem no terror
Sustentamos crises diversas, meu deus
pois há quem diga que somos uma geração sustentável
E por enxergar tanta fraude, meu deus
por ser tão humana
é que suplico,
meus deus,
que exista
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