sábado, 30 de março de 2013

No vale das lembranças

 Não é como no sopro de uma vela que logo se apaga. Ou talvez seja.
 Mas basta fechar os olhos e perceber que tudo o que resta na vida são lembranças.
 O primeiro acorde tocado,
 do instrumento afinado,
 Bem vindo ao vale encantado,
 às lembranças, ao passado.
 Caminhando para traz,
 a diferença que se fez é a diferença que se faz.
 É na falta sentida,
 na palavra cedida,
 o privilégio de amar.
 A vida é filosofia,
 onde o saber se cria,
 no primeiro questionar.
 Aquele conceito mudado,
 que foi o primeiro nado,
 de um mar a explorar.
 O mar no belo dia,
 ou na tarde de verão,
 só revela a nostalgia escondida no coração.
 Basta uma tempestade e o barco se inunda,
 afogando cada acorde, e então afunda,
 e a vela põe-se a apagar.

segunda-feira, 18 de março de 2013

Meu Grande Inimigo

 Tenho um grande inimigo.
 Conhecendo-me bem,
 Se faz de amigo.
 Com um falso conforto,
 Oferece abrigo.
 Tento me livrar,
 E já não consigo,
 Pois este vilão
 Morrerá comigo.
 Prazer,
 Eu sou meu inimigo.

quinta-feira, 14 de março de 2013

O ciclo sem refúgio

 Ser uma árvore.
 Ver as folhas secando,
 E apreciá-las como são.
 E basta um forte vento,
 A mudança de estação,
 Os frutos alimentam,
 Mas as folhas caem ao chão.