O casal ócio e cafeína se encontraram nesta madrugada para vos apresentar apenas mais um texto que se compõe de seus delírios. A necessidade de produção, ainda que inútil aos alheios, é a manifestação da arte que existe em cada ser. Ainda que de conceitos prematuros, desenvolvem-se aqui ideias (ainda mais prematuras) que o casal insiste em expor para que logo o sono da crítica os envolva em sonhos evolutivos.
O padeiro da esquina da casa de Joãozinho era um homem simples, com uma vida simples, com diálogo simples, com ideias simples, que simplesmente fascinava, com toda sua simplicidade, aos moradores daquela cidade pequena. Servia aos clientes toda a pureza e simpatia que buscavam degustar, que sempre saíam satisfeitos com os diálogos e atos produtivos e inspiradores do padeiro.
Joãozinho, rapaz que culto se avaliava, que superior se colocava, criticava o pão francês do padeiro por não ser como o francês. E assim julgavam Joãozinho: o garoto crítico da cidadezinha. Sempre lia muito; conhecedor da literatura, da filosofia, das artes e de tantas outras coisas, sabia que estava a um patamar acima. Sabido como era, deixava isso claro em suas discussões.
E como era sabido! Mais que isso, era sempre importante expor que lia livros que alguns ainda não leram e provavelmente não o fariam. Não era pedante, falava com segurança tudo que lia. E como explorava de palavras desconhecidas em diálogos rotineiros! Rapaz erudito, diriam.
Filósofo. Não era assim que chamavam os mais sapientes de qualquer bairro? E depois de um tempo, assim ficou conhecido. "Sou o helênico da atualidade!", dizia ele, o que faz compreender Atena ter ficado na Grécia Antiga.
E pela sapiência ficou famoso na cidade, despertando a curiosidade de professores e outros mestres. Muitos destes eram um Joãozinho da vida, o que resultou numa admiração de ambas as partes. Então, por diversão discutia ideias de filósofos que conhecia e por ousadia até dos que pouco conhecia. Incapaz de entender um mero sarcasmo, Joãozinho se vangloriava por sua genialidade elogiada.
Poxa, Joãozinho! De que vale seu conhecimento decoreba? Que espécie de alienação de conhecimento é essa? Não seria hipocrisia de um robozinho apontar a robozisse do outro robô? Mecanizado Joãozinho, quem te programou reproduzir pensamentos revolucionários? Joãozinho, entenda, recitar poesia não te faz um poeta. Concordar (ou discordar) com uma ideia é consequência de uma leitura bem saboreada. Mas Joãozinho, não acredita ser feio roubar? Pegar ideias prontas não é pensar, Joãozinho. Pense por si, rapaz! Aprenda a pensar, Joãozinho! Faça sua história, Joãozinho, é tudo monótono pois você não cria, só copia. Crie, viva e PENSE, Joãozinho. Repetir o que já existe não te faz culto.
E quem diria, que de pouca conversa, a evidência é que o padeiro era o filósofo da cidade?
Um texto simples aos cultos.