quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Do incenso, o maluco


É madrugada de Natal.
  Até onde vai meu conhecimento, a Lua que se esconde por trás dessas nuvens é crescente.
  Mas não estou aqui para falar do Natal nem da Lua.
  Eis apenas mais um texto, de quem por tanto buscar a transcendência, se entrega a qualquer saber.
  Pois bem. Incenso aceso. Luz acesa. A fumaça e meus dedos numa dança que as azas de um cisne não ousariam arriscar. A sincronia perfeita de uma noite ociosa.
  E então, como uma grande admiradora do céu, encaminho lentamente meu olhar para a janela, junto a fumaça.
  Uma madrugada qualquer (exceto pelos cristãos, claro), não fosse o maluco da janela.
  Luz acesa. Medo. O desespero que só os sentidos podem causar. A música do silencio junto aos encantadores movimentos da fumaça. O cheiro que leva meu olfato a crer que basta fechar os meus olhos para estar num jardim de orquídeas.
  Chamarei de maluco da janela aquele que não irei definir formas ou impor características. Colocarei apenas sensações.
  A luz continua acesa. A percepção desse luzir artificial me causa o medo sensível. Há pouco nesse quarto, o suficiente para "saber que nada sei." (Obrigada pela honra da intromissão no meu texto, Sócrates.)
  Aqui, percebo que só tenho medo do que vejo. E o que vejo, é o maluco da janela que não me abandona. O que ele quer de mim?
  A luz se apaga. O foco de luz se diminui rapidamente, como pupilas ao encontro do Sol. Minha única fonte de luz são as admiráveis estrelas, a inspiradora Lua e o queimar desse incenso.
  O maluco da janela continua no seu posto. Não o vejo, mas sei que esta ali. Dessa vez, não sinto medo do que vejo, e sim, do que minha desocupada mente cria. Esse medo é ainda mais poderoso! Vejo tudo o que meu subconsciente projeta, a paz do silencio é horrorizadora e, como se não bastasse, meu inconsciente debocha de mim trazendo lágrimas até então não perceptíveis.
  Perigo real ou imaginário. Medo. A luz se acende novamente e o medo parece duplicado. Vejo o maluco da janela e tudo o que minha mente cria. Não existe onomatopeia que descreva as batidas que meu coração dava para se refugiar daqui. Agachada, me abraço com todas as minhas forças. Esse gesto me conforta momentaneamente, até que a luz se apaga novamente.
  O grito involuntário não quebrou o silencio, como se fosse um pesadelo em que o grito não sai. E então, o silencio se distorce em barulho (mas ainda faz silencio) e algumas palavras acariciam e acalmam a minha alma: "Entregue-se a isso."
  Apagada, a luz me deixa novamente. Mas dessa vez sinto um sorriso. Não sei dizer se veio de mim, do maluco, ou dos dois. Apesar da escuridão, esta tudo muito claro. No escuro não vejo o medo. É um momento a ser sentido, aproveitado. É quando eu percebo que a noite está a meu dispor. Mente limpa. Não existem mais os horrores que se criavam. A noite é a calma; é enxergar de olhos fechados, com olhos abertos. A noite é serena, acolhedora de descanso e companheira de sonhos. Não há por que ter medo. O escuro é a noite. Tudo o que pode causar espetáculos horrendos é minha mente, mas está calmo.
  A luz, mais uma vez, se acende. A mente está calma. Não há medo. É aí, então, que o maluco das janela se retira, junto a madrugada que já vem dando lugar ao dia. O incenso se apagou, não há mais dança.
  Talvez, mesmo sem saber me expressar, eu tenha conseguido ao que tanto me entreguei.
  Quanto ao maluco da janela, o que queria de mim? Aquilo que tanto busquei! Ora ora, esperto, causou a transcendência me fazendo senti-la para melhor explicá-la. E ainda assim, não cumpri bem esse papel.
  As estrelas se retiraram junto a madrugada, a ignorância junto a fumaça, e eu, me retiro junto ao fim.
  Que venha a próxima noite, o próximo incenso, e o maluco.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Renda-se a riqueza

  Existe um cofre.
  Quer saber? Você deve abri-lo.
  sim, vá contra a ideia de que não precisa da riqueza.
  Alias, esqueça essa ideia.
  Existem joias que se conseguem ao abrir um cofre,
 verdadeiras pedras preciosas.
  Muito se conquista ao abrir o cofre.
  Pense até onde você vai e o que vai conhecer.
  seja calculista, elabore formas de abrir outros cofres.
  É isso mesmo. Abra muitos cofres e saboreie toda a riqueza.
  Ao perceber que o cofre é o seu bloqueio mental,
 e que ao abri-lo se deliciará a sabedoria, desejará ser o mais rico e solidário.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Labirinto da transcendência?

   Pensemos num labirinto.
   Pensemos tambem, nas barreiras que o mesmo nos coloca.
   Perdidos, tentamos encontrar algum caminho que nos leve a algum lugar.
   Afinal, ficar parado não leva a lugar algum.
   Pensemos mais uma vez... Na sensação do perdido ou do preso ao encontrar a saída.
   Enquanto o perdido está preso, empolga-se para sair e descobrir, quem sabe, um novo mundo.
   O problema, é que alguns se acomodam no desespero da perdição, e decidem adiar, ou até mesmo, desistir de encontrar a saída para isso.
   É importante lembrar que, esse labirinto nada mais é do que as portas do nosso conhecimento.
   É preciso ser questionador, é preciso ser curioso.
   Desejar a saída do labirinto não é de todo te-la, mas é uma saída.
   Descobrir novas portas é desconbrir novos mundos.
   Portanto, o faça, ou então, seja apenas mais um perdido.
   Opte pelo labirinto da trancendência, e as saídas serão apenas mais uma porta para mais conhecimento.
   Apenas não se permita aconchegar em algum canto perdido, e conquistar novos patamares será um ciclo radiante e vicioso.
   É preciso abrir portas. Estou indo a procura de um novo mundo.



Ps: a inspiração não veio do filme "Monstros S.A.", e sim, de reflexões com quem queria abrir mais uma porta .

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

O irreal é real

Conto dedicado para aquele que tanto me inspira.






Distante da hipocrisia da sociedade, nesta vasta residência natural, aproveito o momento para contar-lhes a história da Princesa dos Ventos. Não se atreva a continuar lendo se não for capaz de compreender um mundo. Alias, como vai o mundo?
   Existe uma camada inferior no planeta Terra. O que difere esses seres de nós, é a vantagem de terem asas. Porém, iguala-se a nossa sociedade dissimulada. Mesmo com asas, que nós tanto valorizamos, o poder é dado pelo ouro verde, pedra valiosa nesta camada.
   Em um vale desvalorizado, não pelo mundo, nem por nada, apenas pelos seres gananciosos, morava Sofia, a Princesa dos Ventos. Seu adestrador, Robert, tinha grande influência sobre ela. Tendo perdido seu pai, um filho, e a vontade de viver, adestrava Sofia de forma que não seguisse seus mesmos caminhos. Por tentar impedir, ela parecia trilhar o mesmo. As asas de seus adestrador eram enormes, mas já haviam perdido o brilho.
   Ele travalhava numa fábrica de moldura de ouros verdes, que faliu por motivos deconhecidos. Diante dessa situação, o pobre adestrador não tinha motivos para viver, se não, castrar bem sua Princesinha.
   Mas a Princesinha foi crescendo, aumentando sua noção de realidade. Tocava um instrumento que aqui , chamamos de violão. Sabemos que o instrumento é semelhante, mas não sabemos ao certo qual é. Cansada da hierarquia e da divisão de classes, idealizou ir para Celestine, um mundo onde a única regra era viver, viver intensamente, viver feliz.
   Por vivenciar as cenas que a corroía em casa, tinha uma árvore negra, na qual sempre encontrava-se com sua angústia. No caminho para sua árvore, sempre se encontrava com olhares mentirosos e traiçoeiros. Isso a encomodava deveras. Não se conformava em viver em um mundo tão belo, e  não poder voar.
   Compoz uma música, na qual havia um trecho que sempre cantava:
   "Não diga o que pensa,
    Não faça o que quer,
    Não seja você,
    Viva sem viver."
    E junto as lágrimas e a indignação, ela finalizava este ritual, que lhe era rotina.
    Certo dia, quando a dor lhe chegou ao auge (pois dor maior nunca havia sentido), sentou-se em um dos grandes galhos de sua amiga árvore negra, e se deixou levar pelas suas companheiras, as lágrimas. Ao fechar os olhos, pensou que se ao menos pudesse voar, estaria agora em Celestine. Mas seu adestrador sempre aparava suas asinhas, então elas ainda não a aguentavam.
   Com um certo susto, sente que alguém se senta ao seu lado. Nunca havia visto asas mais belas. Olhos azuis como aqueles, não eram superados nem pelos céus. Apresentou-se como aventureiro Arthur, e desde então, falaram-se frequentemente. A cada encontro apaixonado, a árvore negra perdia toda a escuridão, e  tornava-se encantadora.
   Entendendo e respeitando os  ideais da Princesa, o Aventureiro demonstrou interesse e dizia que um dia a levaria para Celestine. O tempo foi passando. Ela o amava . Ele sabia disso. Não era necessário ser correspondida, nem nada. Bastava ver o brilho das estrelas se mantendo naqueles belos olhos.
     Foi então, que de uma Princesa qualquer, passou a ser a Princesa que amava. Não poderia haver melhor remédio para a árvore negra. Suas asas estavam crescendo. Estavam tornando-se dignas de quem conheceria Celestine. Porém, mais uma vez, suas asas foram aparadas. O sofrimento lhe tomou conta, pois estava encantada com suas asinhas.
   Possessão. Manipulação. Não era o homem o ser mais cruel da galáxia?
   Diante de tanta mentira, de tanto fingimento, ser de verdade faz com que conheça seres verdadeiros. E no aventureiro, ela encontrou a verdade. Mas o adestrador não admitia os olhares realistas. A ignorância lhe foi apresentada como dádiva. Afinal, você deve ser politicamente correto. Deve ser exatamente o porco adestrado que a sociedade impõe.
   Destrua o ouro verde. Sorria quando deve arrancar algo de alguém, e ria depois de arrancar. Viver e conviver com esse sistema doentio era tortura. Fugir para Celestíne nunca foi tão desejado. Longe da mentira, longe da adestração, longe de tudo. Já não sabia mais se estava fugindo da morte ou vivendo a vida. Não sabia se morreria, ou se já estava morrendo. Sabia apenas, que diante de tanta confusão mental, não havia refúgio melhor que Celestíne.
   Porém, apesar de um mundo sem regras, para entar lá, era necessário uma alma livre. Sim, aqueles seres semelhantes a nós também tinham alma. Era preciso ter uma alma livre do receio, do temer, da tristeza. Deve apenas ter uma alma pura. Ser puro. Não querer mais que viver. Amar. Ser feliz.
   Quantos seres já habitaram Celestine? É tudo tão belo, tudo tão magnífico.
   Numa crise existencial, Robert passava sua dor para a Princesa. Nada era mais gratificante do que ver o sorriso no rosto daquele pobre homem. Mas estava na hora de aceitar: a Princesinha não aceitava mais que limitasse suas asinhas, e não permitia mais que tocasse nelas.
   Encontrando um buraco negro, a escuridão sempre assusta, parecendo o único caminho, deixando nossas árvores negras. Aceitando este caminho como único, os seres se vem obrigados a segui-los e fazerem deles o negro colorido. Tornam-se limitados e obscuros.
    A Princesa dos Ventos, cansada deste caminho, decide tornar-se luz. Você é a luz de seu caminho. Você ilumina o escuro que convive. Seja luz, ilumine outros caminhos. Não há nada mais gratificante.
   Despreparada, foge para Celestine. Mas ainda é cedo. É rejeitada. Há muito o que evoluir. Suas asinhas ainda precisavam crescer. Compreendendo, com um sorriso no rosto, se forçou a dedicar-se cada vez mais, já que a dedicação é o segredo de qualquer resultado, e prometeu voltar para Celestine. Sabia que não voltaria sosinha.
   Quanto ao aventureiro, em Celestine se divertia, cheio de histórias para contar.
   Ele está salvando Celestine. Na verdade, já salvou Celestine a muito tempo.
   Existe um mundo grato a ele.
   Agora, nesta residência natural, o vento está me expulsando.
   Comparando o mundo inferior ao nosso, percebemos que ele consegue se igualar ao nosso. Nós destruímos nosso ouro verde ao invés de valorizá-lo. Nos permitimos termos asas limitadas, até mesmo cortadas, sem fazer nada por isso. Mas existe algo que salva qualquer ser em qualquer mundo: o amor.
   Vou me retirar junto ao vento. Conheceu agora a história que não tem fim. A sociedade não passa de um ciclo vicioso e doentio. Sorte de quem encontra a cura na luz, e tem a dádiva de amar.
   Qualquer um é capaz de entrar em Celestine, assim como qualquer um é capaz de voar.
   Grata por ouvir minhas histórias. Agora, se for capaz, feche seus olhos, e vá para Celestine.

sábado, 9 de junho de 2012

TOC TOC...

_Quem é?
_Capitalismo!
_Entre!
Toc toc
_Hipocrisia!
_Entre!
Toc Toc
_Sociedade!
_Entre!
Toc Toc
_REVOLUÇÃO!
_Não há mais espaço.
E a porta nunca mais se abriu.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Eu posso voar!

Acabo de descobrir a liberdade que tenho para criar um novo mundo.
Este é só meu.
Não é egoísmo, meus caros, apenas medo.
Se eu lhe entregar meu mundo, este mundo não será mais meu.
Quantos mundos o homem não estraga?!
A sociedade tira tanta coisa de mim!
Por favor, não me arranquem o meu mundo.
Aqui as flores são tão lindas,
As cores são tão fortes,
A música me leva a estrada da liberdade,
Minha barriguinha sente cócegas ao encontro do vento...
E o poder não é dado pelo dinheiro, nem pela mente, nem por nada.
O poder não existe, o que existe é ser feliz!
Neste mundo não vivo para agradar, não vivo para mostrar que posso viver.
Apenas vivo.
Vivo longe do problemático sistema,
Longe da mentira, longe da hipocrisia.
Aqui posso voar!
Alcanço o inálcansável céu,
E as nuvens são minhas amiguinhas.
Você pode até imaginar neste um mundo insano,
Mas insano é eu viver no seu mundo!
O meu mundo é de verdade, o seu precisa dela.
Fecharei meus olhos, pois ao  reabri-los, voltarei a viver suas mentiras.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Me rendo, oh natureza!

 
Concede-me a honra natureza, de admirá-la e regenerar-me, sempre passando-me novas emoções.
Me rendo ao vento, que leva meu cabelo ao encontro do desejado voar;
Me rendo a água, que banha esta vasta beleza e todas as vidas;
Me rendo a areia, que faz de meus passos o caminho ás nuvens;
Me rendo a ti, mãe natureza, que rendeu-se a mim para que eu pudesse render-me a ti.
Apenas não me rendo ao seu mais cruel filho, que te destroi e destroi a mim.
Não me rendo a esses seres que usam vossa beleza para usarem a nós.
Não me rendo ao homem, por mais contraditória que seja essa afirmação.
Oh, mãe natureza, conceda-me mais uma honra, realize meu pedido egoísta:
Permita que meu último suspiro seja com o brilho nos olhos refletido pelas suas águas banhadas pela luz do Sol,
Permita que á última batida de meu coração esteja em sincronia com o som das traiçoeiras ondas do mar,
Permita que meu último momento seja todo seu, e o meu, todo teu.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Amigo oculto?

Sentada naquela consoladora escada apavorante, comecei a analizar,
Não vemos o bem porque ele não existe, ou porque não queremos vê-lo?
Pessoas boas não se acham boas o suficiente,
Enquanto as ruins se enxergam como seres magnânimos.
Naquele dia, estava a minha frente um pobre homem que se queixava de fome,
Porém agradecia as esmolas, ali rejeitadas.
Naqueles belos olhos castanhos se via apenas um sorriso tímido,
De quem mesmo precisando de tudo, de nada precisava.
Na cautela das palavras, fui falar com o pobre rapaz.
Belo sorriso aquele, que com seu jeito simpático,
Me dizia algo que não facilmente seria esquecido por mim.
"O homem vive pra ser melhor que quem?
Melhor que eu? Que você?
Ah, por favor, que saiam desse inlúcido mundo lúcido!
Valho menos que dinheiro, este, que nada é sem mim.
Por onde está caminhando, humanidade?
Partem corações pra se conquistar apenas um,
Mas corações nem sempre são conquistados. Não são.
Não vivo em estado de mutismo, só não tenho voz.
Ou vá me dizer, que quem o poder não tem, tem poder algum?
Mundo contraditório esse, em que gladiadores da paz a conquistam pela guerra.
Foi preciso derramar sangue para que sangue não fosse mais derramado.
Mas lhe garanto minha cara, livre disso estou vivendo.
Morrerei, ou já estou morrendo?
Chega de alforismos. Chega de ideias. Que tal uma maçã?"
E daquele fruto, desfrutei um amigo.
E do amigo, desfrutei o respeito.
Sendo a história verdadeira ou não, lhe agradeço meu amigo,
E que outras histórias sejam escritas, mesmo que seja pra que exista.
E lá vou eu colher mais maçãs.

segunda-feira, 19 de março de 2012

Assassinando monstros

"Eu posso ver o medo em seus olhos"
 Me disse aquele debochado espelho,
 Refletor de almas desesperadas, e amparador da vaidade.
 Aquelas belas andorinhas voando na liberdade da imensidão celeste,
 Não tiveram contato com o homem.
 Ah, o homem! Destruidor de almas, e quem as repõe.
 Quando não se pode mais, admirar as tão belas aves e sua diversão,
 a liberdade se desespera.
 E qual a causa do desespero, se não, o medo?
 Pupilas se dilatam ao encontro de um monstro subjetivamente assustador.
 Acreditar em forças sobrenaturais ou malígnas não mudam os fatos.
 O homem que conhece o desespero teme o temer.
 Torna o medo o homem mais forte?
 Se assim for, mas que homem de sorte!
 Mas veja só se não é um grande mal,
 abusar de uma  inexistente sorte,
Para se confortar nos braços de um bom acaso.
 Ah, se bom acaso tivera eu!
Não estarias aqui, lendo um relato de quem tenta assassinar monstros,
Encontrando a liberdade num texto onde não precisa se esconder.

quinta-feira, 15 de março de 2012

Tenho minha capa vermelha.

Quando seu fantástico mundo preto se transforma em trevas,
você teme não ter um heroi.
Não me venham com lisonjas, todos tem o dom de mentir.
Me salvar de grandes borboletas negras não impedirá que as outras voem.
Descobrir que tenho um herói só me deixa mais fraca.
Se me proteje porque me ama, me proteje porque te faz bem,
e se me proteje porque te faz bem, me proteje pelo teu egoísmo.
Logo, não cabe a mim julgar, pois sou movida pelo mesmo combustível.
Mas afinal, que quero eu?
Está na hora de despertar o Kickass que aqui habita,
e protejer esse meu mundo sosinha.
Porém, eis a contradição:
Quando eu mais precisar, que venham meus herois a me salvar,
mas que me salvem de uma forma oculta.
Me salvem de um mundo que tanto me destroi, meus caros egoístas,
que com sua dose de egoísmo, salva mais um mundo.
Mas quanto egoísmo o meu!
Grata a meus super herois, mas tenho minha capa vermelha.
E com o mesmo egoísmo benéfico, tentarei salvar as pobres almas,
que assim como eu, sem assumir o 'precisar de  ajuda', imploram por ela.

terça-feira, 13 de março de 2012

Labirinto verde?

Hey nuvenzinhas, onde estão?
só vejo árvores por aqui!
Hey dia, onde estas indo?
Não é uma boa hora pra noite chegar...
Esta ficando escuro...
Hey cidade tão desprezada, onde estas?
O conforto que me ofereces foi percebido com o desespero.
Engraçado esse meu conforto, que veio do desconforto,
só por estar com os que mais amo.
Melhor ter preça, o medo está chegando!
Hey aventureiros, olharam pro céu?
Sim, as estrelas estão brilhando por nós.
De que estas rindo Dionísio?
Isso não tem graça agora!
Não seria melhor deixarmos as zombarias pro próximo encontro sem previsão?
E quanto aos cães nem ali presentes?
Estariam se afogando na maldita caixa d'água que tanto nos chateou?
Mas que coisa, sobre uma roda não consigo pedalar!
Porém, o escuro não era treva.
Os caminhos incertos levaram ao desejado rumo.
As estrelas representaram a Lua.
Uma nova história foi escrita.
E a roda girará novamente...
Quem sabe, pelos mesmos caminhos indezejavelmente desejáveis?!

quarta-feira, 7 de março de 2012

Sobre 6 cordas...


Aderbal, meu adorável instrumento de cordas,
formamos acordes e rifes deveras agradável a nós mesmos.
Nos divertimos ao brincar de astros de rock,
e me alivias em meus momentos insanos de raiva.
Formamos uma belíssima dupla, meu caro,
e sem aos menos me ensinar, aprendo com você.
Eis aqui apenas uma amante da música,
que pouco conhecimento tem sobre tal.
Grata ao espírito das músicas,
por proporcionar ao homem tamanho prazer,
o prazer de tocar e de sentir sobre apenas 6 cordas,
todo a magia de um mundo magnífico expressa pela paixão,
o magnífico mundo da música.

                                            

Para Aderbal, minha guitarra.

segunda-feira, 5 de março de 2012

Celestíne

Eis a imensidão aparentemente inalcansável,
em que se movem todos os astros,
no qual é apenas preciso fechar os olhos,
e sentir as tão desejadas nuvens de algodão.
Eis o ilimitado céu,
no qual encontro o inexistente,
que desperta o saber de que voar não é impossível,
e alcançar as estrelas é como alcançar a Lua.
De tal imensidão,
cai a chuva que camufla minhas lágrimas,
as lágrimas do céu em sincronia com as minhas,
ambos aliviando-se.
Ao me desabitar deste mundo,
me encontrarás nas estrelas,
me encontrarás na Lua,
e minhas lágrimas, junto as tuas,
escorrerão do alívio dessa imensidão.