Sentada naquela consoladora escada apavorante, comecei a analizar,
Não vemos o bem porque ele não existe, ou porque não queremos vê-lo?
Pessoas boas não se acham boas o suficiente,
Enquanto as ruins se enxergam como seres magnânimos.
Naquele dia, estava a minha frente um pobre homem que se queixava de fome,
Porém agradecia as esmolas, ali rejeitadas.
Naqueles belos olhos castanhos se via apenas um sorriso tímido,
De quem mesmo precisando de tudo, de nada precisava.
Na cautela das palavras, fui falar com o pobre rapaz.
Belo sorriso aquele, que com seu jeito simpático,
Me dizia algo que não facilmente seria esquecido por mim.
"O homem vive pra ser melhor que quem?
Melhor que eu? Que você?
Ah, por favor, que saiam desse inlúcido mundo lúcido!
Valho menos que dinheiro, este, que nada é sem mim.
Por onde está caminhando, humanidade?
Partem corações pra se conquistar apenas um,
Mas corações nem sempre são conquistados. Não são.
Não vivo em estado de mutismo, só não tenho voz.
Ou vá me dizer, que quem o poder não tem, tem poder algum?
Mundo contraditório esse, em que gladiadores da paz a conquistam pela guerra.
Foi preciso derramar sangue para que sangue não fosse mais derramado.
Mas lhe garanto minha cara, livre disso estou vivendo.
Morrerei, ou já estou morrendo?
Chega de alforismos. Chega de ideias. Que tal uma maçã?"
E daquele fruto, desfrutei um amigo.
E do amigo, desfrutei o respeito.
Sendo a história verdadeira ou não, lhe agradeço meu amigo,
E que outras histórias sejam escritas, mesmo que seja pra que exista.
E lá vou eu colher mais maçãs.
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